Onde estamos

NOSSOS ENCONTROS ACONTECEM SEMANALMENTE, TODAS AS QUARTAS-FEIRAS À NOITE, A PARTIR DAS 20H, NA PARÓQUIA DO MENINO JESUS DE PRAGA.
VENHA PARTICIPAR VOCÊ TAMBÉM DO TERÇO DA MÃE DE JESUS!



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O PAPEL ATUAL DO LEIGO NO MUNDO


O PAPEL ATUAL DO LEIGO NO MUNDO

Não me agrada a palavra ‘leigo’. Ela pode significar também gente que não tem nenhum conhecimento de alguma questão ou algum assunto. Foi usado sobretudo na Idade Média para diferenciar o povo muitas vezes iletrado que não tinha acesso à Bíblia, tampouco ao latim, língua corrente na Igreja de então. Assim, a conotação de leigo, na verdade, é pejorativa. E o assunto, neste caso, é o cristianismo. Acho muito difícil que eu encontre alguém nesta assembléia que não saiba o que seja cristianismo. O termo ‘leigo’ separa a comunidade dos apenas batizados, daqueles que sabem tudo sobre teologia ou doutrina cristã, como acontece com os teólogos ou pessoas que ocupam a hierarquia eclesiástica. Como se o cristianismo fosse apenas uma teoria que se aprende nos seminários ou em qualquer faculdade. Cristianismo é, sobretudo, vida. Uma forma de viver, segundo determinados valores impostos por Jesus, ORIGEM DE NOSSA IGREJA. É, sobretudo, o encontro com Deus, com Jesus, que traz em si mesmo o encontro com os irmãos. É um ato de convocação à vida de Cristo, de unificação, de responsabilidade para com o irmão, para com os outros. E isso une todos nós num mesmo plano, tanto os que formam a hierarquia da Igreja, como aqueles que a ela, hierarquia, não pertencem. 

Não obstante, os leigos participam do sacerdócio de Cristo, não isoladamente, como os presbíteros, mas enquanto comunidade, enquanto Igreja. E é nessa comunidade que os leigos agem - entre si e no relacionamento transformador do mundo, movidos pela Graça.

No plano pessoal, o leigo inserido num mundo pleno de valores não cristãos, só se sustenta se tomar consciência de que está sempre diante de Deus, unido a ele na oração e unido aos irmãos na liturgia e numa relação de amor em Cristo, vivenciando o Seu Mandamento Novo.

Mas a vida cristã não se exprime somente nas virtudes pessoais, mas também nas virtudes sociais e políticas, segundo documento papal. São imprescindíveis o relacionamento honesto em todas as circunstâncias, uma atitude ética em quaisquer situações, a obediências às normas sociais justas, sabendo que possuimos a responsabilidade também por aquelas normas injustas. Porque vivemos numa democracia, e o comportamento das pessoas que detêm o poder é fruto de nossas escolhas. Essas pessoas refletem o que somos. 

As estruturas sociais justas, segundo o nosso Papa Bento XVI, não nascem nem funcionam sem um consenso moral da sociedade sobre os valores fundamentais e sobre a necessidade de viver estes valores até mesmo contrariando o interesse pessoal. Uma sociedade na qual Deus está ausente não encontra o consenso necessário sobre os valores morais, nem a força para viver segundo o modelo nascido desses valores.

A tarefa da Igreja, a sua vocação fundamental é, portanto, “formar as consciências, ser advogada da justiça e da verdade, desenvolver a virtude individual e política”. E os leigos católicos devem amadurecer sempre mais a consciência da responsabilidade que têm de estar presentes na formação dos consensos necessários, e na oposição contra as injustiças, e de levar a luz do Evangelho, na vida pública, cultural, econômica e política, agindo na sociedade como “fermento”, e, com isso, tornando Cristo visível, mediante o testemunho de uma vida que transpareça a fé, a esperança e a caridade.

Estamos em época de eleição, e o dia do leigo chegou numa boa hora, para que nos lembremos de nossa responsabilidade pessoal para com o destino de nossa cidade, isto é, para com o destino de nossa gente. O ato político, segundo o Beato João Paulo II, é o maior ato de amor. Por que? Porque ele mexe com o destino de milhares de pessoas de uma só vez. Porque só ele pode criar condições para o atendimento das necessidades básicas de todos os cidadãos de uma cidade, de um estado, de um país, por meio de decisões simples. Milhões de pessoas, portanto, são atingidas. Essas decisões só se complicam quando interesses outros, de modo geral escusos, atrapalham o seu bom encaminhamento.  Numa democracia, o destino da nação está em nossas mãos. SÓ EM NOSSAS MÃOS, porque o poder é originado do povo. 

Hoje é quase impossível acreditar que o coração de um candidato a um cargo político esteja cheio de amor para dar. Se existe amor é em relação às suas próprias conveniências, e não para com o povo que o vai eleger. Por isso, o desinteresse para com a política nos torna, como cristãos, cúmplices desses marginais que nos roubam. Esse desinteresse, pode não parecer, também constitui um ato político. Um mau ato político. Temos de conhecer quem se candidata, sua vida, seu passado, sua conduta moral, sua experiência política anterior, seu partido. Sobretudo seu partido, pois cada partido tem suas características próprias, sua cultura interna, sua visão do seu real papel na vida política, sua ideologia. Por mais aparentemente honesto que um candidato se apresente, ele com certeza será absorvido pela cultura interna de seu partido, e, dependendo dessa cultura, cede às suas influências internas, o mais das vezes, deletérias. Não se pode acertar sozinho dentro de um partido. Portanto, se percebermos num partido ocorrências desonestas constantes de seus membros, isso não é somente fruto da consciência moral desses políticos, mas da cultura interna do partido.

A maioria dos partidos, embora tenham de apresentar um programa, seguem, na prática, a filosofia do quem der mais. Esses são os mais perigosos.
Há, porém, aqueles que seguem uma ideologia, uma filosofia sócioeconômica que pode ser boa ou má para os cidadãos. Nesses, a corrupção está presente com menos intensidade que nos outros partidos. Mas devemos sempre perguntar o que eles vão fazer com a honestidade deles. Afinal, ser honesto é uma virtude básica, e não define, por si só, se um político ou partido é bom ou mal. É a filosofia de governo que revela a validade de um partido para os eleitores. Para quem ele vai governar? Para os poderosos ou para o povo? Vai dar preferência aos donos das riquezas ou às outras classes sociais? Quais são os valores que defendem? Ajustam-se aos valores cristãos ou são contrários a eles? Aqui devemos nos lembrar do manifesto de Maria, Mãe de Jesus e nossa mãe: “Depôs os poderosos dos tronos e exaltou os humildes”. E obedecer a Ela.

Como se vê, a escolha é complexa, e, infelizmente, o povão não está ainda à altura de uma democracia que exige consciência política, uma situação econômica digna, um mínimo nível cultural para poder estar à corrente do que se passa naquele mundo nebuloso da política. Por isso, cabe à Igreja, através dos leigos, estudar sua doutrina social que os papas através dos tempos nos têm legado. E com base nesses valores fazer as escolhas. E não só. O cristão não deve guardar esses conhecimentos apenas para si. Na nossa sociedade existem cristãos mal informados que precisam ser esclarecidos sobre esses valores políticos básicos. Sem defender qualquer política partidária, esses cristãos, coerentes com os valores cristãos, devem dar essas orientações para que as escolhas possam ser feitas, com menor chance de erros possível.
E orar, orar sempre. O ato de votar é um ato solitário, porque o cristão está diante de Deus e da urna. Só diante da urna, mas também diante de Deus. Mas, embora solitário, o voto tem valor coletivo, de consequências inimagináveis, pois ali é jogado o destino dos nossos irmãos. Por conseguinte, votar não representa somente a expressão da vontade pessoal, seja ela qual for. Ali, se deve fazer a vontade de Deus. Votar, para nós cristãos, é um ato de amor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário